Beija-Flor encerra os desfiles e é a Campeã do Carnaval 2018 - Foto: Fernando Tribiño

Os Últimos Serão os Primeiros?

Encerrar os desfiles pode ajudar uma escola a ser campeã?

Por: Tiago Ribeiro

Nesta terça-feira (17) as escolas de samba do Grupo Especial vão definir a ordem dos seus desfiles em 2019, num sorteio marcado por superstições, teorias e preferências, como aquela que diz que o melhor dia para desfilar é a segunda-feira, já que, desde 1985 – ano em que o carnaval adotou o modelo atual -, foram seis vitórias no domingo contra 30 na segunda. Nos últimos anos, após cinco escolas ganharem o título sendo a última a se apresentar, uma outra teoria ganhou força, a de que encerrar os desfiles pode ser decisivo na conquista do campeonato. Será que os últimos serão os primeiros?

De acordo com os critérios das entidades que regulam o carnaval, o ditado popular não se aplica à folia, uma vez que encerrar o desfile pode ser encarado como um castigo, tal qual abrir o cortejo. Em 2018, por exemplo, pelas regras prévias do sorteio, a Paraíso do Tuiuti, que teve o rebaixamento cancelado no ano anterior, deveria ser a última a se apresentar no domingo de carnaval, não fosse a troca de posição realizada com a Mocidade. Da mesma forma, em 1982, a Vila Isabel e o Império Serrano (últimas colocadas da folia de 81) foram escolhidas para, respectivamente, abrir e encerrar os desfiles. Os defensores da ideia afirmam que, com uma maior quantidade de escolas, a última a se apresentar acaba desfilando durante o dia, por vezes até sob o sol forte, o que comprometeria seu desempenho.

Alguns resultados vão de encontro com este pensamento, como em 1995, quando as últimas escolas que se apresentaram, tanto no domingo (São Clemente), quando na segunda (Unidos de Vila Rica), foram rebaixadas. Da mesma forma, no carnaval seguinte, a Unidos da Ponte encerrou os desfiles no domingo e acabou sofrendo o descenso. Por outro lado, o Império Serrano salvo no tapetão em 1981, venceu o carnaval do ano seguinte fechando os desfiles sob o sol de meio dia.

Tomando por base os carnavais desde 1984, quando o desfile passou a ser dividido em dois dias, o Grupo Especial contou com o máximo de 18 e o mínimo de 12 agremiações, variando, em grande medida, o horário que a última escola se apresentou. Em 2019 será a 12ª vez em 36 anos que o carnaval vai contar com 14 escolas no primeiro grupo. Neste modelo, apenas em três ocasiões o campeão foi o último a desfilar (sempre às segundas-feiras), mesmo assim, esta ainda é a posição de desfile com mais escolas vitoriosas, seguida pela 5ª de segunda-feira (2 vezes), 4ª de segunda-feira (2 vezes) e 3ª de segunda-feira (2 vezes). Ainda assim, levando em conta todos os resultados obtidos pelas 14 escolas em cada um desses carnavais, pela média, as melhores colocadas foram as que desfilaram como 5ª de segunda, seguida pela 3ª de segunda, e só depois pela que fechou os desfiles.

Em 2019, esta teoria será posta à prova em maior grau, uma vez que as escolas não vão poder trocar a posição de desfile, como geralmente acontecia. Já que a última a desfilar será decidida na sorte, não custa nada fazer uma fezinha e acreditar na famosa passagem bíblica, na luta para ficar em primeiro.

*Tiago Ribeiro é Jornalista, mestrando em Arte pela UERJ e pesquisador de carnaval

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