Unidos do Porto da Pedra

FICHA TÉCNICA

Presidente: Fábio Montibelo

Carnavalesco: Jaime Cezário

Intérprete: Luizinho Andanças

Diretor de Carnaval: Paulo Brandão

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Rodrigo França e Cynthia Santos

Mestre de Bateria: Pablo

Comissão de Frente: Jardel Augusto Lemos

Enredo para 2018: “Rainhas do rádio – nas ondas da emoção, o Tigre coroa as divas da canção”

Classificação em 2017: 5º lugar

Site oficial: www.gresunidosdoportodapedra.com.br

SINOPSE

Rainhas do Rádio – nas ondas da emoção, o Tigre coroa as divas da canção!

Carnavalesco Jaime Cezário

Tudo começou em meados da década de 1930, início da era de “ouro do rádio”, que atingiu seu auge nos anos 40 e 50: um período marcado por requinte e glamour, especialmente no Rio do Janeiro, então capital federal, chamada de Guanabara. Os belos cassinos, teatros, hotéis, bares e boates respiravam prosperidade, dando a cidade uma aura mágica, quase um mundo de faz de conta. E para coroar esse universo mítico, foi fundada a Rádio Nacional tornando tudo ainda mais especial, pois a emissora tinha a missão de integrar o país, ditando modas e costumes. Sua programação variada fascinava, e através do sucesso dos seus programas musicais, cada vez mais populares, os grandes ídolos foram criados. E assim, a Cidade Maravilhosa se tornou o coração desse novo reinado, onde a realeza da canção arrebatou o país inteiro.
Bastava ligar o rádio, num gesto simples de girar o botão e as vozes invadiam os lares brasileiros de norte ao sul do país. Ninguém ficava indiferente, todos queriam acompanhar a programação, extasiados pelos sons que saiam daquele aparelho que se tornou indispensável. Os programas musicais despertavam o maior fascínio e todos aprendiam as canções que caiam rapidamente no gosto popular. Nessa disputa entre cantores e cantoras, coube as vozes femininas, de forma única e particular, seduzirem os ouvintes… algo difícil de traduzir, mas fácil de sentir. Um fenômeno que pouco a pouco, foi tomando conta do coração de todos, num misto de paixão e adoração.
E nesse mundo de faz de conta, não existiu pseudônimo melhor e mais adequado para definir estas mulheres do que este: Rainhas. Majestosas ao interpretar canções vivas, canções de carnaval, de dor de cotovelo e faziam tudo muito bem. Mistérios que só a alma do povo saberá dizer. Soberanas, tiveram dias de intenso brilho, milhares de fãs – ou seriam súditos? – as reverenciavam em todo país. Estrelas autênticas de nossa música popular, que fizeram o brilho de uma época e que até hoje nos fazem sonhar.
Para atender o desejo popular em participar da vida de seus ídolos, foram criadas publicações especializadas em rádio, com destaque para a famosa “Revista do Rádio”. As gravadoras ganharam um grande impulso e disputavam a peso de ouro nossas cantoras. As salas de cinema superlotadas, a cada nova Chanchada da Atlântida, para ver seus ídolos cantando os novos lançamentos musicais. Mas o que fez o Brasil realmente parar foi a competição criada para eleger a Rainha do Rádio.
O primeiro concurso foi promovido em 1936 pelo jornal o Diário da Noite em parceria com o bloco carnavalesco Cordão dos Laranjas. Os primeiros concursos não tiveram grande repercussão a nível nacional, pois a eleição era feita apenas pelo voto dos artistas e profissionais do meio radiofônico.
Nesse modelo, só deu a cantora Linda Batista, eleita sucessivamente por uma década. Entretanto, quando em 1948, a Associação Brasileira do Rádio (ABR) começou a organizá-lo, passando a eleição para o voto popular, o concurso explodiu no Brasil inteiro e foram eleitas nove rainhas nesse novo formato. Após a eleição, elas se tornavam verdadeiras garotas propagandas, ajudando a promover tudo. Os concursos aconteciam na poderosa Rádio Nacional, que na época simbolizava o “Palácio Real” de onde nossas soberanas reinaram…
Quem haverá de esquecer essas Rainhas? Começando pelas irmãs Batistas, Linda e Dircinha, eternas estrelas. Carregando a famosa “Lata D’água” na cabeça lá se foi Marlene, essa mulher cheia de vida, ocupar seu lugar. O “Que será” de nossas vidas sem o seu amor, Dalva de Oliveira? Quebrando toda “Rotina” surgiu Mary Gonçalves para reinar nessa história. É, dizem que “tem francesinha no salão”! Será? Quem reinou mesmo nos salões e nos palcos foi ela, a minha, a sua, a nossa Emilinha Borba. De vermelho e negro vestindo a noite o mistério trouxe nossa Sapoti, Ângela Maria. Olhando pela “janela do mundo” nos apaixonamos por “este seu olhar” Vera Lucia. Mas o que gostamos é de você, Dóris Monteiro, que de conversa em conversa provou a todos sua nobreza. Dizem que amor é bom de dar, muitos fingiram gostar, mas só mesmo você Julie Joy, soube fechar com chave de ouro este ciclo real.
A eleição despertava a atenção do Brasil inteiro. Nossas soberanas possuíam uma legião de súditos e súditas apaixonados que disputavam voto a voto quem elegeria a sua Diva ao trono da realeza do Rádio. Os fã-clubes tiveram lugar de destaque nesse sucesso nacional, pois era um misto de adoração e devoção por nossas estrelas. Os fãs que frequentavam os Programas de Auditório receberam o nome singular de “macacas de auditório”, devido ao comportamento histérico ao ver seu ídolo de perto. No dia da apuração o país parava para acompanhar nas ondas da Rádio Nacional o resultado. Após a contagem de votos e o anúncio oficial da vencedora, as discussões e brigas tomavam conta do público, pois a unanimidade era rara.
O “grand finale” deste acontecimento, ficava por conta da coroação no Baile do Rádio. O baile mais popular e disputado do carnaval carioca, pois nele, fora a folia carnavalesca que reinava, o público poderia estar perto de seus cantores preferidos, além é claro, de ver a coroação da Rainha do Rádio com toda sua corte. Aqueles que não tinham esse privilégio, a grande maioria, se aglomerava do lado de fora para assistir ao cortejo da soberana em carro aberto pelas ruas, para depois ser transportada da parte externa do teatro até o palco, em um trono carregado por atléticos admiradores, para delírio da multidão.
Dez privilegiadas mulheres puderam viver este momento de encantamento… num período dourado do Rio de Janeiro e do Rádio no Brasil. A elas, no carnaval de 2018, sintonizada na mais pura emoção, embalado em sonoras ondas, Porto da Pedra com toda nobreza da Corte da Folia rende esta homenagem, coroando novamente cada uma.
E assim nossas estrelas da música continuarão a brilhar…

SAMBA ENREDO

Compositores: Bira, Oscar Bessa, Duda Sg, Márcio Rangel, Alexandre Villela, Guilherme Andrade, Adelyr, Bruno Soares e Rafael Raçudo

VEM REVIVER
TEMPOS DE GLAMOUR E DE FASCINAÇÃO
NO AR, A MAGIA DE UMA ESTAÇÃO
SONHOS DA “FELIZ CIDADE”
NUM RIO DE SAUDADE MERGULHEI
E ENCONTREI LINDAS MELODIAS
ONDE A POESIA FEZ MORADA
NOS BRAÇOS DA GUANABARA
UM ELDORADO DE AMOR
CORAÇÕES ARREBATOU

A ALMA DO BRASIL ECOOU, RELUZIU
AO SOM DA RÁDIO NACIONAL
PAIXÃO SEM IGUAL
QUE NOS ENCANTOU
SINTONIZOU…

AH! TÃO BELAS VOZES EM NOTAS MUSICAIS… IMORTAIS
RAINHAS QUE O POVO ESCOLHEU PRA AMAR
E A VIDA INTEIRA ADORAR
UM SÚDITO AOS TEUS PÉS EU SOU
NO MEIO DA RUA CANTANDO EU VOU
AO BAILE DA CONSAGRAÇÃO
SER MAIS UM FÃ EM DEVOÇÃO
MEU PORTO DA PEDRA NUM CORTEJO DIVINAL
FAZ O SEU CARNAVAL

SÃO DEZ ESTRELAS A BRILHAR
NAS ONDAS DA EMOÇÃO
MEU TIGRE VEM COROAR
AS DIVAS DA CANÇÃO

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